Entre Petrópolis e Mont Plerin: Eugênio Gudin e a interpretação neoliberal do Brasil
Área de concentração
Ciência Política
Linha de Pesquisa
Teorias da Justiça, Feminismo e Pensamento Político Brasileiro
Data da defesa
10/08/2026
Banca Examinadora
(titulares)
Prof. Dr. Juarez Rocha Guimarães - Orientador (DCP/UFMG) Prof. Dr. Dawisson Elvécio Belém Lopes (DCP/UFMG) Prof. Dr. Amaro de Oliveira Fleck (FIL/UFMG) Prof. Dr. Jorge Gomes de Souza Chaloub (UFJF) Profª. Drª. Vera Alves Cepêda (UFSCAR)
Resumo
Apresentamos no presente trabalho Eugênio Gudin como um intérprete neoliberal do Brasil, cuja obra articulou economia, política, sociologia e civilização num abrangente diagnóstico do atraso nacional. Ele não deve ser lido apenas como um restrito economista liberal, mone-tarista ou adversário do desenvolvimentismo, pois, ao descrever o país como marcado pela herança ibérica, baixa produtividade, precariedade sanitária e educacional, imaturidade po-lítica e vulnerabilidade à demagogia, Gudin o estava interpretando como uma fronteira in-completa da civilização ocidental. Por meio da reconstrução dos seus escritos econômicos, jornalísticos e políticos, mostramos que sua defesa da moeda estável, sua crítica à inflação, ao nacionalismo, à reforma agrária, ao populismo e à redistribuição, bem como seu apoio à ditadura militar e às instituições de contenção da democracia integram uma abrangente, coerente e longeva arquitetura intelectual. Com isso, também revemos a cronologia do neo-liberalismo no Brasil ao demonstrar que o neoliberalismo não surgiu apenas com o Consen-so de Washington ou com os institutos liberais dos anos 1980, mas já atuava nas décadas centrais do século vinte, constituindo uma importante força na composição do Brasil contemporâneo.
Palavras-chave
Brasil, Civilização, Democracia., Desenvolvimento, Eugênio Gudin, Neoliberalismo