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09 de Fevereiro de 2026
Agenda de pesquisa desenvolvida por João Paulo Nicolini Gabriel e Dawisson Belém Lopes sobre o programa nuclear brasileiro e suas bases diplomáticas recebe reconhecimento internacional da OPANAL
A agenda de pesquisa desenvolvida por João Paulo Nicolini Gabriel e Dawisson Belém Lopes sobre o programa nuclear brasileiro e suas bases diplomáticas recebeu um importante reconhecimento internacional. O estudo intitulado Autonomy without Proliferation: Latin America's Atomic Exceptionalism and the Brazilian Nuclear Programme foi agraciado com o Prêmio Antônio Augusto Cançado Trindade para o Desarmamento Nuclear e a Não Proliferação, concedido pela Agência para a Proibição de Armas Nucleares na América Latina e no Caribe (OPANAL), em sua segunda edição.
O anúncio ocorreu em 5 de fevereiro, data de forte densidade simbólica para a governança nuclear global. No mesmo dia, a comunidade internacional registrou mais um ano desde o término do Tratado New START sem sua renovação, aprofundando um cenário de incerteza estratégica entre as principais potências nucleares. Nesse contexto, o reconhecimento de uma agenda de pesquisa centrada na contenção, na legalidade e no desenvolvimento nuclear pacífico ganha significado adicional.
A OPANAL é uma organização intergovernamental criada no âmbito do Tratado de Tlatelolco e mantém uma relação formal com o sistema das Nações Unidas. Cabe à agência supervisionar a primeira Zona Livre de Armas Nucleares do mundo, um arranjo institucional pioneiro que serviu de referência para regimes posteriores de desnuclearização em outras regiões. O prêmio insere-se, assim, em uma tradição que posiciona a América Latina na vanguarda dos esforços internacionais voltados à limitação de armas nucleares por meio do direito, da diplomacia e da cooperação regional.
A premiação reconhece uma trajetória de investigação de longo prazo dedicada à compreensão da posição singular do Brasil no regime global de não proliferação. A pesquisa articula economia política internacional, história diplomática, estudos sociais da ciência e da tecnologia e teoria das Relações Internacionais para reconstruir como o país combinou reivindicações de autonomia tecnológica com compromissos duradouros com o uso pacífico da energia nuclear.
Ao longo de vários anos, o trabalho apoiou-se em ampla análise documental e em entrevistas aprofundadas com formuladores de políticas públicas, diplomatas e atores científicos. O diálogo com a produção intelectual do Sul Global ocorre em paralelo a uma interlocução sistemática com abordagens institucionalistas e jurídicas que estruturam a literatura dominante sobre não proliferação.
O argumento central sustenta que o Brasil consolidou um modelo de autonomia sem proliferação, ancorado em compromissos jurídicos regionais, na construção de capacidades tecnocientíficas domésticas e em uma diplomacia ativa voltada à preservação do desenvolvimento nuclear pacífico. Essa experiência questiona leituras que associam autonomia nuclear à aquisição de armamentos e reposiciona a América Latina como fonte de inovação institucional em um momento marcado pela fragilização dos marcos globais de controle de armas.
A escolha do trabalho pela OPANAL ocorre no contexto do 59º aniversário da abertura para assinatura do Tratado de Tlatelolco, reforçando a atualidade das soluções regionais em um período no qual a governança nuclear multilateral enfrenta crescentes tensões.
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